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Violência ou não-violência?

 

Helano Rangel

 

Induzida por uma mídia conservadora e alienante, forceja a opinião pública por consentir e apoiar a prática de tortura e tratamento desumano, principalmente em face de indiciados e presos em geral. Todas os castigos parecem ser justificados contra os chamados "vagabundos". É plausível dar choque elétrico, mergulhá-lo no balde d'água, amordaçar, só para citar alguns exemplos. Afinal, qual a causa de tamanha agressividade?

Sob um ponto de vista espiritual, a violência e o ódio são frutos da extrema confusão que permeia a sociedade, a qual se esquece dos ensinamentos de seres iluminados que, por inúmeras vezes, nos legaram o seu amor e compaixão incondicional.

Cristo, Buda, São Francisco de Assis, Lao Tsé, Madre Teresa de Calcutá, Mahatma Gandhi, todos eles, em diversas épocas e em diversas culturas, comunicaram-se na língua universal da não-violência e do perdão.

É de Gandhi a excelsa frase: "Olho por olho e a humanidade acabará cega". Tratar violência com violência é como ver alguém lançando-se do alto de um precipício e de lá lançar-se também. Ao destruir a vida de seu agressor, você acaba se destruindo também.

Sob um ponto de vista político, a agressividade resulta da fragilidade de nossas instituições, as quais se mostram inábeis para exercer o controle social de maneira eficaz, isto é, investindo em educação, saúde, no combate ao tráfico de drogas e em meios de inclusão social e melhoria do nosso Índice de Desenvolvimento Humano.

A fragilidade de nossas instituições se dá em virtude da crise ética, moral e da inversão de valores, as quais são reflexos da degenerescência espiritual. Na torneira da corrupção e do fisiologismo, escorrem muitos dos recursos sociais que alimentam o ímpeto de uma elite obcecada por poder e dinheiro.

Todo esse quadro gera como consequência inevitável um abalo estrutural no modelo democrático e a vulnerabilidade dos direitos fundamentais, receita básica da ruptura do Estado de Direito e o advento do totalitarismo ditatorial.

Os Direitos Fundamentais protegem a todos nós. Os princípio da presunção de inocência e da dignidade da pessoa humana têm a sua razão de ser. O problema é que as pessoas apenas se dão conta disso quando realmente estão em apuros.

Imagine-se no lugar de uma pessoa que foi injustamente acusada da prática de estupro. Imagine que esse suposto estuprador foi torturado por policiais, os quais o jogaram na pior cela. Imagine-se sendo sexualmente abusado por todos os detentos e ali sendo morto, por criminosos que não perdoam esse tipo de crime. Pronto, quando você ou algum parente próximo se torna a própria vítima da violência irracional, acaba por realizar a importância dos Direitos Humanos.

A mudança desse funesto paradigma é possível mas urge que se faça uma revolução. Não daquelas em que as cabeças rolam e o sangue escorre, mas uma revolução interna, em nossos corações, em nossa conduta social. Se a nossa motivação estiver realmente voltada para o bem coletivo, então tudo será possível. Até lá, teremos em retorno exatamente o reflexo de nossas ações e omissões auto-centradas: o político corrupto, a criança viciada em crack e a escalada implacável da violência.

 

 

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