Domingo, 08 Março 2015 22:37

Dia do Motorista

 
Avalie este item
(0 votos)

Conta a lenda que São Cristóvão carregou Jesus nos ombros na travessia de um furioso rio e, com isso, se transformou no condutor de Cristo, o padroeiro dos transportadores.

 

 No começo, o Dia do Motorista no Ceará era comemorado em meados de maio, com pomposas passeatas organizadas pelas antigas Associações de Choferes, onde figuravam as maiores personalidades da cidade. Chamava-se Páscoa dos Motoristas. Em 1954, o Dia do Motorista em Sobral foi festejado na manhã nublada do dia 16 de maio. Logo às cinco horas, o alarido de uma banda de música, misturado com um estridente buzinaço e com os estouros de fogos de artifício acordou os sobralenses. Dezenas de automóveis, jipes e caminhonetes enfeitadas saíram da Praça do Rosário em procissão até o monumento à São Cristóvão, no início da rodovia Sobral-Fortaleza, onde o padre Dom José Tupinambá da Frota celebrou uma missa campal, com uma grande comunhão. Dali, o cortejo seguiu para o patronato Maria Imaculada, para um grande café da manhã.

 A profissão de motorista era o sonho de muitos jovens, encantados com a velocidade e com a vida de aventuras nas estradas. A mística de São Cristóvão parecia envolver o moderníssimo ofício de levar e trazer, tão fundamental no tempo em que os horizontes pareciam cada vez mais próximos. Em 20 de maio de 1956, a Páscoa dos Motoristas em Fortaleza também foi recheada de bandeirolas, bênçãos aos volantes e procissão.

 A importância do transporte no progresso nacional crescia e os motoristas eram valorizados.  Em junho de 1966, o Presidente Castello Branco instituiu o Dia do Motorista em 25 de julho, dia de São Cristóvão. A partir de então, a data passou a ser comemorada em julho. Havia distribuição de prêmios, sorteios e banquetes, além da tradicional benção e missa.

 Às vésperas do milagre brasileiro, em 1968, o presidente Costa e Silva reafirmou o Dia do Motorista no calendário nacional. Era o reconhecimento pela profissão que colaboraria para o maior crescimento econômico do país em um século.

 Mas com a escalada inflacionária dos anos de 1980, os festejos do Dia do Motorista juntaram reivindicações por melhores condições de trabalho. A situação tinha mudado. Os altos preços de carros e caminhões e a falta de emprego em empresas de ônibus castigavam os motoristas. Em 1982, os taxistas de Fortaleza pediam financiamentos para a compra de carros a álcool, antenados com a implementação definitiva do programa do governo – ProAlcool – para a superação da crise internacional do petróleo. Em 1988, eles reclamavam reajuste de tarifas e distribuição de cartelas de tarifas para todos. Naquele ano, a festa cearense ganhou brilho com o sorteio de um Passat zero quilômetro, cedido pela Volkswagem do Brasil.

 Mesmo assim, as dificuldades de conduzir se ampliaram no correr dos anos. No século 21, o medo da violência nos ônibus e as queixas sobre a alta carga tributária aos motoristas autônomos preocupavam os motoristas. Em 25 de julho de 2007, a Prefeitura de Fortaleza isentou os taxistas da cobrança do Imposto sobre Serviços.

Fontes:

 

Páscoa dos choferes de Sobral excedeu a expectativa. Gazeta de Notícias, Fortaleza, 01 de junho de 1954.

Páscoa dos motoristas de Fortaleza, Gazeta de Notícias, Fortaleza, 17 de maio de 1956.

Missa e passeata no dia do motorista. O Povo, Fortaleza, 26 de julho de 1982

Lembranças sobralenses. Diário do Nordeste, Fortaleza, 06 de maio de 2002.

Lei Federal nº 5.032, de 17 de junho de 1966.

Elaborada a programação para o dia do motorista, dia 25. O Povo, Fortaleza, 23 de julho de 1964

Decreto Federal nº 63.461, de 21 de outubro de 1968.

Depoimento de Manoel Lopes de Sousa, em 12 de janeiro de 2004.

Dia do Motorista: Insegurança é a principal queixa da categoria. Diário do Nordeste, Fortaleza, 26 de julho de 2007.

Lido 769 vezes Última modificação em Segunda, 11 Maio 2015 09:28
Patrícia Menezes

Professora e historiadora.