Quarta, 24 Setembro 2014 16:30

Cultura da Excelência

 
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Excelência é um valor abstrato, fruto do meio no qual o indivíduo é criado. 

Se formos raciocinar em termos empresariais, na sociedade ocidental a busca da excelência esta relacionada com a racionalização da produção, a maximização dos recursos e o combate ao desperdício. 

 

Na cultura oriental, no escopo da cultura embasada no budismo e no confucionismo a excelência é resultado do esforço de aprimoramento, via estudo, do indivíduo, que vive em sociedades com parâmetros de conduta e obediência que são diversos da cultura judaica - cristão, greco-romana mediterrânea, conhecida como civilização européia. Nestas sociedades o Estado é o delineador dos objetivos e metas que a sociedade tem a obrigação de conquistar, recompensando-se os melhores quadros pelos resultados. Em particular no Confusionismo, isto é , RP China e nos países com minorias chinesas, a busca do lucro é meritória. 

Na civilização européia a excelência, até o século XVIII era "algo" que estava associado com a aristocracia, ao consumo de bens, que por serem produzidos artesanalmente, com o primor possível, denotavam riqueza. Com a revolução industrial e a produção em massa de bens de consumo, a excelência se reflete na produção de bens de alto valor agregado e aos produtos consumidos pelos estamentos mais abonados, possibilitando a diferenciação no consumo por preço e primor de acabamento e nas matérias-primas mais custosas. 

Na ética protestante e origem do capitalismo moderno, Weber indiretamente relaciona a busca da excelência com o progresso individual possível numa sociedade não estamentada, onde o sucesso, a conquista do resultado financeiro é valorizado e não condenado, como nas sociedades européias, que até o século XIX eram estanques na mobilidade social. 

A cultura da excelência é assim um valor subjetivo, que é exclusivo de uma dada sociedade, todavia com a globalização da produção e consumo de bens industrias podemos admitir que se faz necessário uma certa padronização de excelência na produção pois o consumidor, independentemente de sua cultura nativa preza conceitos como: acabamento, preço, variedade de modelos e equipamentos que acompanham cada produto em qualquer mercado. Esta padronização de procedimentos é necessária para que a Indústria esteja preparada para a nova norma de consumo, onde o consumidor consome um produto industrializado elaborado conforme seu desejo - isto já é comum na indústria automobilística e tende a ser reproduzido nos demais segmentos da Indústria.

Lido 741 vezes Última modificação em Terça, 26 Maio 2015 20:06
Jean-Claude Silberfeld

Economista, Pós-graduado em História e professor de pós-graduação em Relações Internacionais e Assuntos Econômicos;

Especialista em economia brasileira, Ciências Políticas e Relações Internacionais