Quinta, 04 Abril 2013 01:13

Os Estados Unidos e a Ordem Internacional

 
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Historicamente, os Estados Nacionais, promoveram acordos internacionais que finalizaram em importantes tratados, tais como a Paz de Westphalia (1648), o Tratado de Utrecht (1713), o Congresso de Viena (1815), a Liga das Nações (1919) e,finalmente a Organização das Nações Unidas - ONU (1945). A ONU, tal como as organizações citadas, foram criadas como uma maneira de oferecer estabilidade e paz.

Entretanto, hoje, ela vem refletindo a preponderância de algumas potências mundiais com uma política individualista e hegemônica. Sabemos que em todos esses tratados, aqui mencionados, não poderia deixar de ocorrer as consequentes cooperações entre alguns Estados, formando-se assim , entre eles um sistema de Estados que estabeleceram uma Ordem Internacional correspondente aos seus próprios interesses.

No caso específico da ONU, fundada para assegurar a paz, a segurança coletiva, norteada por princípios de igualdade e democracia as críticas se ligam às prerrogativas a seus membros ,acusada da concessão de privilégios a alguns, como os do Conselho de Segurança. E pela aceitação do papel de predomínio dos Estados Unidos. Acontece que na prática, obter um tratamento igualitário pede uma situação de potência. No caso brasileiro, um requisito, uma situação que se torna, hoje, mais fácil de ser atingida pelo reconhecimento de sermos uma nação muito mais próxima dos países desenvolvidos e mais aptos a desenvolver um papel na Ordem Internacional.

Desde o período pós Guerra Fria, internacionalistas, analistas internacionais e outros e pesquisadores de história e política internacional buscam conceitos explicativos de uma ordem internacional e mesmo do que se denomina como Nova Ordem Internacional.

Podemos começar analisando a palavra “ordem” que tem, no caso da Ordem Internacional, um significado subjetivo e que não pode, claro, manter-se fixo no tempo.Sem dúvida, essas alterações são concordes aos interesses individuais ou coletivos notadamente das grandes potências. Quanto ao termo “internacional”, criação do filósofo e jurista Jeremy Bentham, em 1780, foi usado para designar as vinculações legais entre os Estados Nacionais, mesmo quando o considerem impróprio ou mesmo não voltado para o próprio conceito de nações. De qualquer modo, a Ordem Internacional dificilmente poderia ser determinada por um conjunto de todos os Estados, embora não se negue o risco de uma orientação única. Esta uma uma acusação permanente feita aos Estados Unidos.

Em tese, essa Ordem Internacional deve buscar manter o próprio Sistema que lhe é inerente, a Sociedade de Estados e a manutenção da independência, condição de soberania externa dos Estados individuais. Aliada a isso, a paz deverá ser mantida como preservação mesma do sistema de Estados. Para Hedley Bull a sociedade de Estados advém de quando um grupo de Estados, cônscios de certos valores e interesses comuns, forma uma sociedade, ligando-se, no seu relacionamento, por um conjunto de regras e participação em instituições comuns.Ora, examinando-se as formas de organização dos Estados Nacionais ao longo do tempo, temos que sempre existiu um sistema de Estados suseranos ( conforme classificação de Martin Wight.). Certamente, os interesses não eram comuns ao “internacional” quanto ao fato de que todos os Estados existentes no mundo pudessem participar e partilhar o poder da mesma maneira.Isto significa dizer que a Ordem determinada está comprometida. Na realidade e como não poderia deixar de ser, os Estados excluídos da elaboração deste sistema, reagiram à ordem estabelecida, oscilando entre a colaboração e a competição. Isto fica bem claro no atual delineamento dos blocos de poder mundiais e do papel recente dos Estados Unidos.

Portanto, até determinado ponto, podemos considerar que o equilíbrio de poder pode ser interpretado como um meio dos Estados Nacionais manterem um determinado sistema até que um destes Estados alcance a supremacia. Na prática, podemos observar essa assertiva na construção do poder norte-americano. Ou seja, a expressão equilíbrio de poder não passa, na prática de uma distribuição do poder disponível existente.

No momento histórico vivido, podemos analisar parcialmente, a transição entre o que poderá ser a ascensão e a possibilidade do declínio de uma grande potência como os Estados Unidos da América, fracionando-se o seu poder, até aqui hegemônico, frente ao fortalecimento de outros centros como a China e o Irã. Desde a Segunda Grande Guerra, surgida como uma grande águia a dirigir e a preponderar sobre outras nações e agora sobre o advento de novas esperanças com a subida de Obama, deverá repensar o seu papel no mundo.Imaginar uma mudança de per si pelo advento ao poder de um presidente negro é minimizar o golpe infligido pela forte crise econômica globalizada. Outros fatores, como a sua própria decadência moral, cada vez mais distante dos ideais de seus fundadores, os puritanos fugidos da Inglaterra e aportados no May Flower levam a indicadores de modificações de desempenho e de um papel de importância diversa no mundo. Consequentemente, mesmo que a maioria dos arranjos de poder hajam sido feitos em seu proveito, preservando-lhes o status quo, não lhe deverá ser mais conferida a preponderância, ora em via de perder-se .... Arranjos feitos que, para muitos, paralelamente, prejudicaram a outros países e que mesmo os revigorando, tal como os feitos com a Arábia Saudita, não os resguardarão de dificuldades sombrias.

Com certeza, os EUA vão precisar, muito mais que a construção de um mito ou de um clichê sorridente protegido pelos holofotes benevolentes da mídia como é o caso da primeira vitória de um negro à presidência.Para superar as dificuldades que se acumulam em múltiplas e complexas variáveis como os problemas vinculados à imigração e o humilhante muro que os separa do México, creio que os Estados Unidos precisarão reinventar-se...

Lido 1934 vezes Última modificação em Sexta, 15 Maio 2015 09:23